À luz de SWANWICK (1993), apesar das variadas visões contraditórias à respeito da música, o importante para o profissional da educação musical é saber, além da importância da música nos seus diversos contextos, o que é indispensável para as experiências musicais vivenciadas por nossos alunos, dando foco para os objetivos e atividades educacionais propostas, que serão o norte de nossa ação curricular. Na educação musical podem ser observados três tipos de bases lógicas conflitantes: A figura do professor como caixa postal que é a forma mais tradicional, onde o professor é que decide o que é mais conveniente passar aos alunos e atua como uma caixa postal, onde seleciona apenas as informações que julga ser de qualidade e descarta aquelas que acredita ser imprestável. Nesta visão dá-se grande importância à capacidade de tocar um instrumento, ler e escrever partitura e conhecer as grandes obras e formas musicais da cultura ocidental. Dentro desta base temos a filosofia de kodály que enfatiza a leitura a primeira vista e o conhecimento de folclore e música clássica. A educação centrada na criança é a filosofia de Roussean, representada pelo professor jardineiro, que mais tarde foi representado na área da música por Carl Orff, primeiro educador progressivo e teve sua filosofia baseada na premissa de que a criança deve primeiramente fazer música e só depois se preocupar com a leitura e escrita, a criança deve vivenciar, experimentar, criar e isso pode ser alcançado através de atividades lúdicas como o cantar, percutir objetos, interagir com os demais colegas. O professor atua então como um jardineiro, o qual planta a semente em seus alunos (interesse pela música) e posteriormente mostra-se um agente de desenvolvimento, fazendo-os crescer musicalmente de forma gradativa, estimulando, questionando e aconselhando seus alunos ao invés de apresentar-se apenas como um instrutor. E contrapondo-se as duas visões supracitadas, temos um recente conceito de educação musical que é a visão do educador como agente cultural, pois devido a grande variedade de influências e tradições culturais existentes em um determinado grupo torna-se evidente os conflitos resultantes destas divergências de interesse musical e é importante ao educador musical saber reconhecer qual é a cultura comum ao grupo e que tipo de linguagem os alunos se identificam. Através do uso de recursos tecnológicos e das diversas mídias existentes a música está em constante mutação e é necessário que o professor não as ignore, pois o resultado dessa fusão cultural é a formação de uma identidade coletiva. O educador musical deve ser capaz de transmitir aos seus alunos dois princípios: o da realização e o da experiência musical direta, lembrando-se sempre de que a habilidade para apreciar música deve ser aprendida, e por isso tem como tarefa facilitar este aprendizado através da estimulação da curiosidade, criatividade e da sensação de capacidade. Por isso, o professor não deve ser uma caixa postal, jardineiro ou um agente cultural mais sim um porteiro. Deve ser alguém capaz de abrir portas, deixar que seus alunos encontrem seu próprio caminho. O educador musical deve oferecer possibilidades, mostrar alternativas.
Bibliografia
SWANWICK, Keith. Permanecendo fiel à música na educação musical. Em: Anais do II Encontro Annual da ABEM. Porto Alegre, 1993. pp.19-32.O